sábado, 16 de maio de 2009

Como desenvolver o desporto através da gestão do conhecimento

Sabe como a sua autarquia pode cometer menos erros nos serviços de desporto? Aprendendo a gerir o conhecimento e utilizando técnicas que permitam melhorar a difusão do conhecimento útil ao desenvolvimento desportivo do território.

Neste artigo apresentamos duas estratégias que lhe vão permitir mudar rapidamente a forma como a sua autarquia utiliza o conhecimento que ela própria (os seus técnicos, funcionários, utentes, etc.) cria, aumentando a sua qualidade de serviços e diminuindo os erros cometidos.

Os municípios, tal como as pessoas, acumulam ao longo do tempo um conjunto de experiências que transformam em conhecimento útil para situações futuras.

Os técnicos de desporto elaboram planos de fomento desportivo, organizam eventos, criam regras para o apoio ao associativismo desportivo; os professores nas escolas criam grupos de desporto escolar, dinamizam actividades, lançam novas modalidades desportivas; os dirigentes desportivos desenvolvem novas formas de angariar financiamento para as actividades dos clubes, fazem melhorias na gestão do material desportivo e, nos ginásios e academias, os gestores realizam um conjunto de actividades de animação do espaço e dos sócios de uma forma contínua e sistemática, desenvolvendo, assim, a sua experiência profissional.

No entanto, nem sempre esta experiência acumulada, este conhecimento que passa pelos serviços de desporto de uma autarquia é recolhido, organizado e reutilizado da melhor forma. A incapacidade de manter actualizada uma Carta Desportiva do Município, de possuir todos os dados do associativismo, das instalações desportivas, dos recursos humanos facilmente acessíveis e utilizáveis, a dificuldade de elaborar atempadamente elementos de suporte à decisão política e a insuficiente partilha de experiências na organização de eventos que, repetidamente, têm um retorno medíocre para a autarquia, são casos infelizmente comuns nos municípios portugueses.

A repetição dos mesmos erros não pode ser apenas atribuída à mudança dos responsáveis políticos autárquicos ou à precariedade do trabalho dos técnicos de desporto. A transmissão de conhecimentos adquiridos não é nada de novo nas organizações desportivas e todas elas procuram, intrinsecamente, melhorar o seu desempenho, por isso nos interrogamos sobre as razões que levam a esta falta de «aprendizagem organizacional»?

O grande desafio das autarquias que desejam evoluir na qualidade dos serviços desportivos que prestam às populações, é encontrar a melhor forma de gerir o conhecimento que vai sendo produzido e acumulado pelos responsáveis políticos, técnicos e funcionários. O planeamento e a definição de um conjunto de estratégias que, de uma forma intencional, promovam a selecção, disponibilização e difusão de boas práticas e a melhoria dos processos de trabalho e de desempenho poderá alterar decisivamente a curva de evolução dos serviços de desporto municipal.

Mais do que o acesso à informação e ao conhecimento, é a forma como gerimos esse conhecimento que diferencia as pessoas e as organizações.

Podem ser consideradas duas estratégias de base para a gestão do conhecimento: a primeira denominada estratégia de codificação em que o conhecimento é cuidadosamente codificado, são definidas regras para o transformar em algo palpável, passível de ser catalogado e armazenado em bases de dados ou «dossiers» de acesso fácil para as pessoas na organização (o desenvolvimento e manutenção de uma Carta Desportiva Integrada (entendemos por “Carta Desportiva Integrada” o documento que permita a integração dos vários elementos necessários ao conhecimento exaustivo da realidade desportiva de uma região, nomeadamente a Carta das Instalações Desportivas Artificiais, a Carta dos Espaços Desportivos Naturais, a Carta da Oferta e Procura Desportiva, a Carta do Associativismo Desportivo, a Carta dos Recursos Humanos e a Carta das Empresas de Desporto) é um exemplo da utilização desta estratégia); e uma segunda, denominada estratégia de personalização em que o conhecimento está intimamente ligado à pessoa que o desenvolveu e são estimuladas formas de o distribuir rapidamente através de contactos pessoais (a organização de sessões de debate, reuniões, equipas de trabalho sobre temas específicos do desporto no município são estratégias com alto impacto na difusão do conhecimento).

Enquanto no primeiro caso a autarquia depois de um investimento inicial num sistema de armazenamento e codificação de conhecimento pode reutilizar vezes sem conta esse mesmo conhecimento recompensando as pessoas que continuam a contribuir para a melhoria e desenvolvimento do sistema, providenciando um conjunto de serviços rápidos, fiáveis e de elevada qualidade, no segundo caso a autarquia evidencia uma capacidade de analisar de uma forma criativa e única os problemas que surgem, desenvolvendo redes de contacto entre pessoas para que o conhecimento tácito seja partilhado e as soluções encontradas por todos os agentes desportivos relevantes.

Gerir o conhecimento numa autarquia implica, portanto, o aceitar implícito da mudança; implica estar atento à realidade local, nacional e internacional; implica a capacidade de mudar de paradigma. Um paradigma é um conjunto de regras que definem fronteiras entre o que é certo e errado, entre o que é verdadeiro e o que é falso, entre o que se deve fazer e o que não se deve fazer. Ele funciona como um padrão que define o comportamento das pessoas. Sem a capacidade de mudar de paradigma, os serviços de desporto de uma autarquia limitam-se a repetir comportamentos estanques, muitas vezes desajustados das novas realidades desportivas e sociais do seu envolvimento.

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