segunda-feira, 18 de maio de 2009

Faça da inovação o motor do desenvolvimento desportivo municipal! (e também do seu sucesso profissional)


A falta de uma política integrada de apoio à inovação e desenvolvimento do Desporto pode eternizar o acaso, em detrimento do planeado; o êxito momentâneo em detrimento do desenvolvimento sustentado; o favorecimento de alguns em detrimento da criação de oportunidades para muitos.

E isto é verdade para o desenvolvimento desportivo do seu município como também é verdade para o seu sucesso enquanto profissional.

Com efeito, os principais ingredientes do sucesso desportivo de um território são (1º) a criação de um ambiente estimulante onde novas ideias florescem e (2º) o desenvolvimento de interacções positivas entre diferentes agentes de desenvolvimento desportivo. Esses factores levam a uma espiral de crescimento de praticantes desportivos, novas modalidades, instalações desportivas, qualidade dos profissionais, atracção de empresas e indivíduos, etc.

Como já deverá ter adivinhado, tudo isto não acontece por acaso. O que lhe vou explicar de seguida é como você pode ter um papel determinante para que isto aconteça no seu território.

Sendo a Inovação a capacidade das organizações produzirem, assimilarem e explorarem com êxito a novidade nos domínios económico e social, é importante que o técnico superior de desporto de uma autarquia saiba como tornar a inovação uma constante do seu território.

Numa visão limitadora do que é o desenvolvimento desportivo, a legislação de base no sector considera como agentes integrantes da política de desenvolvimento desportivo, a administração pública desportiva, o movimento associativo, as autarquias locais, as escolas e as universidades.

Na minha opinião as empresas de consultoria em desporto, de comercialização de material desportivo, os ginásios e health-clubs, as empresas de construção de instalações desportivas, de gestão e organização de eventos desportivos, de desenvolvimento de software para instalações desportivas e as universidades e centros de investigação privados são também agentes importantes de desenvolvimento desportivo. Estas empresas são protagonistas de mudança, de inovação de produtos, serviços e processos. São uma força motriz do desenvolvimento desportivo e de boas práticas de inovação e desenvolvimento e muitas vezes continuam esquecidas nas políticas de desenvolvimento desportivo a nível local e nacional.

Admitindo que a inovação tem lugar dentro de um sistema, é necessário para o seu estudo determinar quais são os elementos que o compõem e quais são as relações que se estabelecem entre eles e as suas consequências favoráveis ou não para a inovação. Um Sistema de Inovação Local para o Desporto (SILD) pode ser definido como um conjunto de indivíduos e organizações desportivas interligadas que, num quadro institucional próprio, contribuem para criar, desenvolver, absorver, utilizar e partilhar conhecimentos economica e socialmente úteis para o desenvolvimento desportivo de um determinado território.

O funcionamento do SILD tem como pressuposto a existência de uma diversidade de agentes, que desempenham diferentes funções e contribuem por via das respectivas interacções para a dinâmica da inovação. Essas interacções constituem-se como canais através dos quais circulam os recursos necessários à inovação, designadamente a informação e o conhecimento que a alimentam.

Na minha opinião, o SILD deve ser dinamizado e regulado pela autarquia local. Os técnicos superiores de desporto e os eleitos locais devem ter como preocupação central incentivar as interacções entre os diferentes agentes que promovem a criação, difusão e uso do conhecimento económica e socialmente úteis para o desenvolvimento desportivo do seu território.

O sector empresarial, o movimento associativo desportivo, os organismos científicos (como Universidades, gabinetes de inovação e desenvolvimento, laboratórios associados a instituições de ensino, etc.) e as entidades de apoio (entidades que não estão directamente relacionadas com o desporto, mas que através de apoios, subsídios, etc. promovem o desporto), são agentes que, numa primeira fase, deve ser estimulada a sua criação e, numa segunda fase, se devem criar as condições para que as interacções entre eles sejam produtivas do ponto de vista económico e social.

A autarquia, através dos seus técnicos superiores de desporto e eleitos locais, pode intervir neste processo através de uma dinamização das condições nos mercados de produtos (fomentando o “consumo” de novos serviços desportivos), no sistema educativo (promovendo a interacção com outros sub-sistemas), nas condições das infra-estruturas de suporte e nas infra-estruturas de comunicação e informação (promovendo a criação de redes de partilha de conhecimento) e condicionando o ambiente de criação, difusão e uso do conhecimento (mobilizando especialistas, indivíduos de referência em diversas áreas, investigadores, para a criação de um ambiente rico em conhecimento para os diversos agentes desportivos locais).

Se pretende que o desenvolvimento desportivo do seu território seja sustentado, comece hoje mesmo a fazer o diagnóstico do seu Sistema de Inovação Local para o Desporto e a planear as acções para que ele seja uma realidade a curto prazo, beneficiando todos os agentes de desenvolvimento desportivo.

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